Arquivo da categoria: Guarani

Índios contrariados com participação de Ministério em demarcação de terras

Cerca de 80 lideranças das etnias Kaingang, Guarani e Charrua manifestaram nesta quinta-feira contrariedade a participação do Ministério de Minas e Energia (MME) nos processos de demarcação de terras indígenas. Caso não tenham suas reivindicações atendidas, prometem retornar em grande número a Brasília para invadir prédios públicos, a exemplo do que fizeram no último dia 29 no Ministério da Saúde.

Em abril, a presidenta Dilma Rousseff instruiu o Ministério da Justiça a consultar previamente o MME antes de homologar qualquer demarcação de terra indígena. Essa medida desagradou lideranças indígenas. “Esse ministério [MME] não tem nada a ver com a gente. Por isso não temos de consultá-lo para nada [relativo à demarcação de terras indígenas]”, disse à Agência Brasil o coordenador da articulação dos povos indígenas da Região Sul, Kretan Kaingang.

“Esta é mais uma das políticas para dizimar povos indígenas que não têm como se defender perante um governo que quer ser a sexta potência mundial, mas que fica discriminando seus povos originários. Viemos aqui para dar um recado ao ministro de Minas e Energia [Edison Lobão]: não opine sobre a demarcação das terras indígenas, porque isso é com o Ministério da Justiça. É o mesmo recado que já demos à presidenta Dilma”, disse o coordenador indígena.

Em Brasília, desde segunda-feira, os índios consideram que essa medida “nada mais é do que criar mais burocracia para algo que há tempos não sai do lugar”. Segundo Kretan Kaingang, os povos indígenas têm sido vítimas de uma “ditadura que está sendo implantada por um governo que se disfarça de democrata”.

O Ministério da Justiça disse à Agência Brasil que há disposição do ministro, José Eduardo Cardozo, em receber as lideranças para discutir a questão, e que, inclusive, já está agendada uma reunião entre as partes na Comissão Nacional de Política Indigenista. A reunião está prevista para a próxima semana, em Brasília.

Fonte: O Dia

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I Aty Guasu dos Jovens Kaiowá

Do dia 24 a 26 de Maio ocoreu na aldeia Pirajuí em Paranhos o I Aty Guassu da juventude Kaiowá Guarani, os temas foram relacionados ao histórico do processo de luta das terras indígenas e sua conjuntura atual, identidade, etnicidade e juventude indígena, direito e cidadania indígena, sustentabilidade e autonomia.
Nós jovens da AJI, participamos deste evento que foi o primeiro, e realizdo com muita dificuldade disse uma das organizadoras, apresentamos o trabalho da AJI – Açaõ dos Jovens Indígenas, afim de senbilizar os jovens para também buscarem em suas aldeias uma forma de trabalhar com eles.
Percebemos que as realidades estão muito parecidas: drogas, violencias entre outros, além da falta de espaço dentro e fora de suas comunidades, a falta de dialogo entre a juventude e as lideranças, foi notório. Nada se tem feito para os jovens, não há politica publica que contemple essa classe, pensa-se em mulheres, crianças, e os jovens?
Esperamos que este evento tenha trazido ao menos visibilidade aos jovens Guarani kaiowá, até porque o Procurador da Republica Dr. Marcos Antonio esteve presente nos dias e, pode notar de perto a situação que se encontra os povos indígenas.

Crianças Guarani participam de Semana Indígena da Unesc

A troca de experiências entre alunos do Colégio Unesc e um grupo de crianças indígenas guarani, da aldeia de Imaruí, foi marcante na tarde desta quarta-feira. Os estudantes do Ensino Fundamental da Unesc realizaram diversas apresentações culturais na recepção dos convidados à 1ª Semana Indígena da Universidade.

Após a recepção do grupo indígena, que veio acompanhado do cacique Floriano da Silva, todas as crianças foram até o colégio, onde se conheceram melhor em diversas atividades.

Na aldeia, as crianças indígenas recebem a mesma educação que os demais brasileiros, com a diferença da valorização da cultura guarani, segundo o cacique. Ele destacou que todos os integrantes da aldeia falam o guarani. Uma das atividades durante a recepção foi a apresentação de cantigas de roda, que encantou Silva. “Nossa música é bem diferente da de vocês”, descreveu.

Durante o dia de ontem o grupo indígena esteve vendendo artefatos no hall do Bloco XXI-B, como cestas, bichos de madeira e colares. “O povo guarani tem um papel importante na nossa história. Eles são muito mais avançados na preservação ambiental do que nós”, salientou o professor do curso de História, Carlos Renato Carola.

Leia mais: A Tribuna Net

Luta dos Guarani Kaiowá contra o Brasil, país do Etanol

Na região Sul do Mato Grosso do Sul, fronteira com Paraguai, o povo indígena com a maior população no Brasil trava, quase silenciosamente, uma luta desigual pela reconquista de seu território.
Expulsos pelo contínuo processo de colonização, mais de 40 mil Guarani Kaiowá vivem hoje em menos de 1% de seu território original. Sobre suas terras encontram-se milhares de hectares de cana-de-açúcar plantados por multinacionais que, juntamente com governantes, apresentam o etanol para o mundo como o combustível “limpo” e ecologicamente correto.
Sem terra e sem floresta, os Guarani Kaiowá convivem há anos com uma epidemia de desnutrição que atinge suas crianças. Sem alternativas de subsistência, adultos e adolescentes são explorados nos canaviais em exaustivas jornadas de trabalho. Na linha de produção do combustível limpo são constantes as autuações feitas pelo Ministério Público do Trabalho que encontram nas usinas trabalho infantil e trabalho escravo.
Em meio ao delírio da febre do ouro verde (como é chamada a cana-de-açúcar), as lideranças indígenas que enfrentam o poder que se impõe muitas vezes encontram como destino a morte encomendada por fazendeiros.

À Sombra de um Delírio Verde

Tempo: 29 min
Países: Argentina, Bélgica e Brasil
Narração: Fabiana Cozza
Direção: An Baccaert, Cristiano Navarro, Nicola Mu

ASSISTA O VIDEO AQUI

Fonte: Indymedia Portugal

Exposição permite conhecer ritos e cotidiano dos mbya-guarani

Está em exposição no Museu da Universidade a mostra “Oretataypy: presença mbya-guarani no Sul e Sudeste do Brasil”, que reúne objetos, peças de artesanato, esculturas, vídeos e fotografias.

Os visitantes têm a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a perspectiva mbya-guarani em relação ao mundo, sua cosmologia e como isso se reflete em suas atividades cotidianas. As atrações serão divididas em dois eixos principais: “Nossas moradas – Os Mbya no Rio Grande do Sul” e “Tape-Porã, impressões e movimento – Os Mbya no Rio de Janeiro”.

O eixo “Nossas moradas – Os Mbya no Rio Grande do Sul” inclui a exposição “Os seres da mata e sua vida como pessoas” e a instalação “Casa Mbya-Guarani”, que será inaugurada em 16 de novembro. A mostra revela, através de obras de arte e fotografias, as narrativas mitológico-poéticas sobre a origem dos animais que na visão cosmológica Mbyá são compreendidos como humanos.

Já “Tape-Porã, impressões e movimento – Os Mbya no Rio de Janeiro”, convida o  visitante a percorrer três ambientes: as matas, a casa da eterna alegria e um ambiente reservado à prática de produção de cestarias. Há esculturas de animais em madeira, armadilhas para caça e pesca, instrumentos de prática religiosa e peças de artesanato utilizadas como meios de subsistência.

A exposição é resultado de uma parceria do Museu com o Núcleo de Políticas Públicas para os povos indígenas da Secretaria de Direitos Humanos e Segurança Urbana da Prefeitura Municipal de Porto Alegre (PMPA) e Museu do Índio do Rio de Janeiro.

 

Fonte: UFRGS

MPF/MS: Portaria identifica e delimita Terra Indígena Panambi, na região de Dourados

Mais de 12 mil hectares entre Douradina e Itaporã foram reconhecidos como de tradicional ocupação indígena. Parecer da Consultoria Jurídica do Ministério da Justiça admite possibilidade de indenizar proprietários de terras demarcadas.

A Portaria 524, da Fundação Nacional do Índio (Funai), publicada no Diário Oficial da União de hoje (12), com base em laudos antropológicos, reconhece a Terra Indígena Panambi-Lagoa Rica, localizada nos municípios de Douradina e Itaporã na região sul de Mato Grosso de Sul. Segundo Relatório de Identificação e Delimitação, a área reconhecida ocupa superfície de 12.196 hectares e perímetro aproximado de 63 Km.

A Terra Indígena Panambi é da etnia guarani-kaiowá, o maior grupo indígena do estado, com mais de 46 mil pessoas. Atualmente, vivem na região 832 índios, numa área de 366 hectares. O grupo indígena foi expulso do local no final do século XVIII para dar espaço ao cultivo da erva-mate. Na época, as terras tradicionalmente indígenas foram consideradas por muitos como devolutas e títulos oficiais foram emitidos pela União e entregues a produtores rurais.

A área identificada ocupa hoje parte de 72 propriedades. Parecer da Consultoria Jurídica do Ministério da Justiça opina pela possibilidade de indenização de títulos emitidos pela União incidentes em terras reconhecidas como indígenas. Segundo o Ouvidor Nacional de Direitos Humanos, Domingos Sávio Dresch da Silveira “há sinalização pela aprovação do parecer pela Presidência da República com a consequente vinculação da administração pública federal”.

Demarcação necessária

O estudo publicado pela portaria afirma que nos 366 hectares em que estão os kaiowá de Panambi-Lagoa Rica não há mais matas, matérias-primas ou animais de médio porte. Parte significativa do consumo dos índios provém de recursos obtidos através da venda de mão de obra, da aposentadoria e de projetos sociais mantidos pelo governo.

“A demarcação desta terra indígena cria uma importante condição para que muitas famílias façam o caminho de volta, o mesmo pode ser dito para outras tantas que, por pressões sociais ou políticas, trocaram Panambi – Lagoa Rica pela Reserva de Dourados ou pela precariedade dos acampamentos”, enfatiza o laudo antropológico.

 

 

Fonte: MPF-MS

Rio Grande do Sul é condenado a indenizar indígenas retirados de acampamento

O juiz federal Cândido Alfredo Silva Leal Junior, da Vara Ambiental, Agrária e Residual de Poá, no Rio Grande do Sul, condenou o estado ao pagamento de R$183 mil por danos causados ao grupo de indígena Guaranis que ocupava as margens de rodovia, supostamente pertencente à Fepagro (Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária).

A liminar para a desocupação havia sido concedida pela Justiça estadual, na cidade Eldorado, na ação possessória ingressada pela Fepagro contra os índios Kaingang (liderados por Silvano Benites Alves), que teriam acampado anteriormente no local, mas os agentes públicos desmontaram o acampamento dos índios guaranis sem ouvir previamente a Funai (Fundação Nacional do Índio) e mediante injustificada violência.

O grupo indígena guarani (liderado por Santiago Franco) não se situava na área da Fepagro, mas na faixa de domínio da estrada, e não era alcançada pela ordem de reintegração da Justiça estadual, não tendo a Fepagro legitimação ativa para postular reintegração, diz a ação.

Ainda, de acordo a com a petição inicial da ação civil pública movida pela AGU (Advocacia-Geral da União) junto à  Funai, a desocupação, em 2008, foi de forma desrespeitosa e abusiva

Leia mais: UOL