Arquivo do mês: junho 2012

Indígenas ocupam o canteiro de obras de Belo Monte

Ontem, 22 de Junho de 2012, diversos indígenas ocuparam o canteiro de obras da UHE Belo Monte, em Altamira, no Pará. Enquanto aguardam a chegada de mais indígenas – vindos das Terras Indígenas mais afastadas – os Xikrin do Bacajá e Juruna de Paquiçamba ocuparam a ensecadeira do Sítio Pimental. Parakanã, Arara da Volta Grande e diversos indígenas já estão a caminho da ocupação.

A ocupação é pacífica.

Os indígenas solicitam a presença de representantes do Governo Federal e da empresa responsável pelo consórcio de construção – Norte Energia S.A.  Querem discutir a implementação do Plano Básico Ambiental. Insistem que desconhecem inteiramente o conteúdo do PBA e tampouco sua forma de implementação. Não aceitam a construção de mais estradas na região e, além disso, afirmam que a água consumida nas cercanias do canteiro de obras já está completamente imprópria para consumo e com suas constituição completamente alterada.

Leia aqui a carta elaborada pelos indígenas.

Leia aqui o Manifesto Xikrin

Fonte: Blog Povos Indigenas no Sul

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Ocupação de Belo Monte, 22/06/12: Carta dos indígenas

ÍNDIOS DA REGIÃO DE ALTAMIRA OCUPAM BARRAGEM DE BELO MONTE

Desde ontem, quinta 21/06/2012, os índios afetados pela Hidrelétrica de Belo Monte ocupam um terreno de construção da Barragem. Eles decidiram pela ocupação para manifestar sua insatisfação com o desrespeito de seus direitos e o não-cumprimento das condicionantes, em especial aquelas relativas aos indígenas. Com organização própria e contando apenas com seus recursos, eles ocuparam uma ensecadeira que está sendo construída no Sítio Pimental que visa permitir a construção da obra. A manifestação é pacífica, e eles exigem a presença de representantes do governo e da Norte Energia Sociedade Anônima.

Ontem, os Xikrin daTerra Indígena Trincheira-Bacajá e Juruna do Paquiçamba chegaram à ensecadeira por rio, vindos de suas TI, que ficam a jusante da barragem, na região que sofrerá com a seca, em área chamada pelo empreendimento de Vazão Reduzida do Xingu. Embarcações partiram também de Altamira, onde alguns indígenas chegaram por estrada vindos das aldeias mais distantes, e de onde partiram indígenas que permaneciam ou residem na cidade.  São esperados os Arara da Volta Grande do Xingu e representantes de todas as Terras Indígenas na região, vindos dos rios Iriri e do Xingu, a montante de Altamira, além dos citadinos. Hoje de manhã lideranças parakanã partem para se reunir aos que já se encontram acampados na ensecadeira.

Os índios estão insatisfeitos com a situação, já que as condicionantes que deveriam anteceder as obras não estão sendo devidamente cumpridas em suas terras e em Altamira. Além daquelas que afetam a todos – como a demora em investir na infra-estrutura da cidade, nos serviços de saúde e educação e no saneamento básico que estão cada vez mais sobrecarregados com o aumento populacional já sentido pela região –, os povos indígenas preocupam-se com a demora na implantação do Plano Básico Ambiental – componente indígena (PBA), que deveria estabelecer e efetivar os programas de compensação e mitigação dos impactos já sentidos na região pelos indígenas; com a demora na entrega aos Xikrin dos Estudos Complementares do Rio Bacajá, que por ora apenas foram apresentados nas aldeias, e que permitiria um melhor dimensionamento dos impactos neste rio e para os Xikrin, e garantia da definição de programas de compensação e mitigação destes impactos, em especial pela seca que prevêm que seu rio sofrerá com a construção do empreendimento; pelo desconhecimento do PBA pelos indígenas, do qual se pede mais e melhores apresentações para todos entenderem; pela demora em definir a situação fundiária das Terras Indígenas Terra Wangã, Paquiçamba, Juruna do Km. 17 e da Cachoeira Seca; pela indefinição no sistema de transposição da barragem e o temor de que eles fiquem isolados de Altamira, cidade onde estão os principais serviços que lhes atendem (de saúde, educação, escritórios da FUNAI); por não autorizarem a construção de mais estradas como alternativa ao transporte fluvial atualmente utilizado pelos indígenas e que será dificultado pela transposição da barragem e pela seca (vazão reduzida) do leito do rio; e pela falta do investimento necessário e anterior à obra em infraestrutura nas aldeias impactadas, como por exemplo para garantir a captação de água potável nas aldeias da Volta Grande do Xingu, nas quais a água do rio, até então consumida pela população, já está barrenta e insalubre devido à construção.

Manifesto Xikrin do Bacajá

MANIFESTO DOS XIKRIN DO BACAJÁ
Parem com isso, deixem o rio correr. Deixem que nossos barcos andem pelo rio. Parem com isso, deixem o rio correr para as crianças banharem e beberem de sua água. Se fizerem a barragem o rio vai ficar ruim, a água não vai mais ser boa. O rio vai ficar seco, por onde vamos navegar?
Deixem o rio correr para a gente ir para o mato caçar para nossos filhos e netos comerem, para que no rio que corre bem a gente pesque, saia cedo para pescar para nossas crianças comerem.Nossos Estudos mal foram completados e vocês estão falando da barragem, não gostamos disso. O PBA nem saiu e vocês já estão começando a fazer a barragem, não gostamos disso. Nós queremos que a barragem de Belo Monte pare de vez!
Fonte: Texto produzido pelos homens reunidos na aldeia do Bacajá, Terra Indígena Trincheira-Bacajá.

Encontro Intercultural Indígena no Norte de Minas

Na segunda-feira (11) começou na Aldeia dos Xakriabá, no município de São João das Missões, o Encontro Intercultural Indígena na Aldeia dos Xakriabá. O evento terá a duração de três dias e irá debater a valorização do conhecimento tradicional indígena no processo de saúde e na preservação dos hábitos culturais da tribo.

Com o tema Resgate da Medicina Tradicional Indígena, o evento abordará assuntos relacionados à grande biodiversidade de plantas medicinais, assim como a sua utilização e os seus benefícios para a comunidade indígena. A reunião contará com representantes das dez etnias existentes no Estado e, na oportunidade, eles poderão trocar informações e experiências com o restante do grupo.

Segundo a coordenadora do Programa de Saúde Indígena da Secretaria Estadual de Saúde, Simone Faria de Abreu, a aldeia da etnia Xakriabá sediará o encontro por representar um desenvolvimento de estruturas voltadas à saúde indígena no contexto da saúde pública.

-A reserva desenvolve uma atenção mista na intervenção da saúde em seu território, em que mantém a preservação de seu comportamento frente à saúde na representação de seu cotidiano, com práticas de rituais de cura, uso e manipulação de plantas medicinais, finalizou.

Nos três dias de evento, os representantes de cada etnia convidada permanecerão nas aldeias Xakriabá, participarão de várias atividades sobre a cultura e as ações praticadas pela tribo e apreciarão a culinária local. Eles também conhecerão as duas Casas da Medicina existentes na aldeia (uma utilizada para manipulação de plantas medicinais e outra destinada aos rituais sagrados relacionados à saúde) e a horta de plantas medicinais.

Os convidados do encontro receberão o manual de boas práticas agrícolas nas aldeias indígenas e várias instruções sobre plantas medicinais, cultivo e práticas para desenvolvimento de hortas, viveiro, minhocário e quarto de secagem em aldeias.

Fonte: O norte

Davi Kopenawa Yanomami visita os Mbyá-Guarani no Rio Grande do Sul

Alguns dias antes de a homologação da Terra Indígena Yanomami completar 20 anos, Davi Kopenawa esteve no Rio Grande do Sul visitando os Mbyá-Guarani, povo indígena que ainda luta pelo reconhecimento de seus direitos e pela retomada de suas terras

O presidente da Hutukara Associação Yanomami (HAY), Davi Kopenawa, esteve Rio Grande do Sul entre 12 e 17 de maio. Acompanhado do vice-presidente da HAY, Maurício Ye’kuana, Davi participou de eventos sobre a questão indígena e realizou visitas a uma aldeia e dois acampamentos Mbyá-Guarani na cidade de Porto Alegre e na BR-116.

Com poucas áreas demarcadas, a maioria dos Mbyá-Guarani ainda vive sem terra em meio a seu território tradicional, tendo no artesanato sua principal fonte de subsistência. Esse produto é, em geral, comercializado nas cidades ou na beira de estradas, entre as pistas e as cercas das propriedades rurais.

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Fonte: Instituto Socioambiental

Entenda a luta dos Xavante de Marãiwatsédé

Em 1966, o povo Xavante que vivia em Marãiwatsédé foi retirado de sua terra à força pelo governo militar brasileiro e levado para a Missão Salesiana São Marcos, a cerca de 400km. Lá, uma epidemia de sarampo dizimou um terço do grupo em apenas duas semanas. Na época, a intenção do governo militar era liberar o espaço para permitir o avanço das frentes de ocupação do Centro Oeste e da Amazônia.

Os indígenas só conseguiram retornar a uma parcela diminuta de seu território em 2004, depois de ficarem acampados por 10 meses à beira da estrada. Ao se estabelecerem na sede da fazenda Karu, dentro da terra indígena homologada em 1998, se depararam com uma área cruelmente destruída. O desmatamento arrasou com 85% de Marãiwatsédé, que ficou conhecida como a Terra Indígena mais devastada da Amazônia Brasileira.

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Os Xavante de Marãiwatsédé

Os Xavante se autodenominam A’uwê Uptabi (“gente verdadeira”). Pertencem ao tronco lingüístico macro-jê e à família lingüística jê. São um povo tradicionalmente coletor, caçador e pescador. Seus principais rituais incluem: oi’ó, dahono, darini, wa’ía, entre outros. Produzem artesanato com o buriti, algodão, madeira e algumas sementes. Apesar das ameaças à sua soberania territorial, a cultura Xavante continua a se manifestar com extrema vitalidade, sendo retransmitida de geração em geração através da língua, dos rituais e cerimoniais.

Entre suas práticas esportivas estão o uiwede (“corrida de tora de buriti”), uma corrida de revezamento em que duas equipes de gerações diferentes correm cerca de 8 km, passando uma tora de palmeira de buriti de cerca de 80 kg de um ombro para o outro até chegarem ao pátio da aldeia.

Em Marãiwatsédé, a sociedade xavante é divida verticalmente em duas metades, e cada uma corresponde a um clã. A comunidade também se agrupa em oito classes de idade. Esses grupos são: Nodzö’u (pé de milho), Anorowa (esterco), Tsadaro (sol), Ai’rere (pequena palmeira), Hötora (espécie de peixe), Tirowa (carrapato), Ẽtepá (pedra comprida) e Abare’u (pé de pequi).

Saiba mais sobre os Xavante aqui