Anti-indigenismo midiático: a arte de cultivar racismo e limpezas étnicas

Nas últimas semanas os brasileiros puderam acompanhar a explicitação de discursos anti-indígenas em diversos meios de comunicação de grande circulação. Mas o que teria motivado estes ataques sumários contra índios e quilombolas, assim como contra os antropólogos envolvidos em processos demarcatórios destes coletivos, conforme seus direitos constitucionais? A partir da explicitação de tais posições de difamação, e da perseguição às populações tradicionais os jornais O Globo, Zero Hora, Correio do Povo, e a revista Veja levam para um novo patamar o anti-indigenismo no Brasil, fazendo com que nos perguntemos: quais são os interesses que dissimuladamente defendem?

Perseguições étnicas, conveniências antiéticas
Convidado para publicar uma de suas crônicas pelo jornal O Globo de 12/04/2010, o filósofo Denis Rosenfield, do Laboratório de Ética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, não poupou esforços ao fabricar uma fábula maniqueista na qual grupos indígenas, quilombolas e antropólogos estão prontos para tomar de assalto todo o território nacional tendo a lei a seu favor.

Na parte que cabe aos antropólogos, todos são criticados pelo por não serem “neutros” em seus pareceres técnicos, uma vez que existe um código de ética entre esses profissionais que na leitura de Rosenfield “não se volta para a imparcialidade do trabalho, à verdade, mas se caracteriza pelo comprometimento de uma das partes”.

A inversão aqui é cruel e sem informar nada a respeito das etapas e do procedimento de demarcação , nem  sobre as portarias, leis e convenções nas quais estão legalmente embasadas, o autor esforça-se para deslegitimar este procedimento,com base no apelo ético pela neutralidade, ao mesmo tempo em que coloca coletivos indígenas e quilombolas em uma situação na qual, a defesa de seus direitos específicos aos espaços vitais necessários para a perpetuação de seu modo de ser, seja tomada como um ato quase criminoso.

Duplamente cruel a iniciativa se levarmos em conta que se tratam de povos que somente agora, e lentamente, estão se recuperando dos genocídios a eles imputados e aos quais poucos intelectuais (midiáticos) parecem ter coragem de abordar em suas crônicas; etnocídios de fato, perpetrados desde a chegada dos europeus a estas terras e, ainda hoje, defendidos, por discursos que assumem formas sofisticadas de acobertamento ao tratarem de temas como neutralidade e suposta análise ética.

Por que não discutir a ética (ou a ausência desta) em torno da pilhagem dos territórios indígenas, dos massacres e das violências às quais estes povos foram e continuam sendo submetidos historicamente? Não será esta uma questão pertinente no meio filosófico intelectual?

Num país em cuja capital um índio foi queimado vivo há não muito tempo, parece ser mais conveniente tocar em temas compatíveis com o desenvolvimento e o progresso econômico, e não em temas “incômodos”, como etnocídios e perseguições étnicas; menos conveniente ainda é abordar as relações existente entre estes assomos racistas e a manutenção da chamada “civilização brasileira”.

Mas será ético defender de forma dissimulada os interesses imbricados em uma agenda desenvolvimentista, corporativa e política, aterrorizando pequenos proprietários rurais e a população em geral? É ético fazer com que esta população se volte contra índios e quilombolas quando estes estão reivindicando apenas a efetivação de seus direitos constitucionais previamente estabelecidos? E não seria igualmente ético refletir sobre a ética euro-descendente em um contexto em que casas guarani são incendiadas (na Barra do Ribeiro, a poucos quilômetros da cidade onde mora o referido filósofo), onde idosos e crianças tendo que viver na beira das estradas morrem atropelados (no mesmo estado em que vive o supracitado autor), e hidrelétricas gigantescas são construídas pelo estado nacional e como externalidade fazem desaparecer boa parte dos espaços vitais de dezenas de etnias (note-se: em terras indígenas demarcadas) em favor do progresso de alguns setores empresariais (e isso se dá no mesmo país do filósofo)?!

Serão os intelectuais que hoje voltam suas reflexões sobre ética contra as populações indígenas e quilombolas eximidos eles próprios de uma análise ética, quando tais análises servem politicamente de subsídio para que os novos senhores de engenho, os reis do gado e os empresários do eucalipto e proprietários da monocultura possam investir por todos os meios que lhes cabem contra estas populações?  Que bom que sempre existirão outros filósofos (alguns indígenas e quilombolas) que para a nossa sorte, partindo de outros conjuntos referenciais, estarão capacitados para analizá-las. Talvez destas outras perspectivas melhor informadas, argumentos aos quais hoje são atribuídos status de “verdade” e de  “neutralidade” e que pretendem universais, se revelem parciais, corporativos e até mesmo encomendados.

Made In Veja: a gandaia anti-indígena do jornalismo alcovitado

Mais uma vez a revista Veja revela-se espaço de divulgação do que há de mais desagradável em termos de discursos anti-indígenas no Brasil. Na ampla matéria “A farra da antropologia oportunista” (02/05/2010), os auto-intitulados “jornalistas” Leonardo Coutinho, Igor Paulin, Júlia de Medeiros e Manoel Marques voltaram seu “jornalismo” contra as populações tradicionais existentes em diversos pontos do país. Para horror dos bem-informados, em seus textos transformam índios e quilombolas em figuras alegóricas, bandos de oportunistas gananciosos, que favorecidos por “leis frouxas” de demarcação tornam-se capazes de “ferir” estados inteiros, alcançando o fim último de sua existência: prejudicar os “brasileiros que querem produzir”.

A lista de absurdos presentes na matéria é tão vasta, e seu tom é tão violento que faz jus a um dos principais acionistas do grupo Abril, o grupo de mídia sul-africano Naspers, conhecido por seu forte vínculo com o Partido Nacional da África do Sul (de aspirações africaner racista) e grande defensor das políticas do Apartheid após a Segunda Guerra Mundial. Segundo matéria publicada no (Observatório da Imprensa – (10/09/2006) este grupo de empresários sul-africanos acusados de racismo por outra rede de notícias (Observatório da Imprensa – 02/10/2007) detém agora pelo menos 30% das ações da Abril.

Os subtítulos da matéria em questão mostram-se adequados para qualquer panfleto que por ventura possa vir a publicar futuramente alguma Ku Klux Klan made in Brazil: Lei da Selva, Os Novos Canibais, Teatrinho na Praia, Macumbeiros de Cocar, Made In Paraguai, Índio Bom é índio Pobre, Problema dos Brancos, Os Carambolas, Não Basta Ser Negro. Se racismo fosse crime no Brasil as instituições competentes certamente já teriam tomado uma atitude.

A lei da selva parece ter seu “ambiente cultural original” entre os empresários do agronegócio de outros tempos, não entre os indígenas que viram sumir suas florestas pela lei do mais forte, transformadas em campos nem sempre produtivos. Ao que tudo indica, os novos canibais de nossa sociedade se mostram presentes em certos setores empresariais que nem sempre são brasileiros, mas que dentro de sua tradicionalidade esquartejam e devoram lucro e sobrelucro gerado a partir de recursos que por vezes não lhes pertencem, lançando seus prejuízos como os ossos, na direção de quem historicamente só teve a perder com sua cobiça e gula. Teatrinhos nas cidades são essas rádios e televisões que se tornam palcos para políticos incitarem ódio racial contra minorias enquanto defendem interesses canibais e o expansionismo de sua lei da selva. Jornalista bom… até existe, mas nem de longe aceita ser empregado por um semanário como este, em que ninguém parece saber que não basta ter um diploma e meia dúzia de advogados, e que parece terem abolido, talvez por questões de política editorial a necessidade de fontes fiáveis para o que quer que possa vir a afirmar.

A falsa imputação de uma fala ao antropólogo Eduardo Viveiros de Castro na forma de citação teve repercussão imediata na internet, resultando também em cartas e pedidos de explicação por parte do antropólogo que foram respondidas com certa arrogância protocolar. Esta é só mais uma evidencia da falta de escrúpulos destes “jornalistas”, que parecem considerar seus leitores, ingênuos analfabetos funcionais. Esta manobra nos permite questionar praticamente todas as demais “falas de entrevistados” apresentadas ao longo da reportagem, principalmente aquelas plantadas na boca de quem provavelmente não terá acesso à revista, nem meios para se contrapor a ela.

O Guarani Made In Paraguai que a Veja reinventa agora não passa de outra ficção má-intencionada. Na estória inventada pela revista este índio importado por missionários não deseja ser índio e se revolta com os antropólogos que não quer levá-lo para sua casa, talvez porque deseje retornar para seu “ambiente cultural original”… na mente dos intrépidos jornalistas Made In Veja.  O esforço para emporcalhar a imagem dos Guarani no sul do Brasil foi tal que se apropriam da imagem de diversas pessoas, algumas delas que conheço pessoalmente, uma em especial é parente do velho karaí Alcindo Moreira que com mais de 90 anos vive em uma terra indígena no município de Biguaçú (atentemos para a origem guarani do nome do Município), Santa Catarina, e que, em sua infância viu de longe impressionado junto ao pai a inauguração da ponte Hercílio Luz, a primeira a ligar a ilha de Florianópolis ao continente no ano de 1926 (os Guarani não foram trazidos por ninguém, eles desde tempos imemoriais andam por essas estradas, muito antes delas serem efetivamente estradas eram sim caminhos guarani).

Veja como são as coisas, se existisse no Brasil um imposto por metro quadrado de calúnia e mentira tendenciosa escrita, esta revista já teria desaparecido há tempos e teríamos melhorias substanciais na qualidade do jornalismo no país.

Um levante contra os Guarani em nome dos direitos tradicionais (da Ford)

Após mais de vinte anos de reivindicações dos grupos guarani (Mbyá e Nhandeva) e da sociedade civil organizada junto à Fundação Nacional do Índio, finalmente tiveram início os grupos técnicos destinados ao reconhecimento e demarcação das terras indígenas guarani no leste do Rio Grande do Sul, tendo como marco a promulgação da Constituição Federal Brasileira.

Expulsos de seus territórios tradicionais (Itapuã, Lami, as margens do Caí, do Taquari, do Gravataí, do Jacuí e do Guaíba, etc.) – sofrendo todo tipo de privações em acampamentos à beira de estradas (BR 116, BR 101, BR 290 para citar apenas algumas), nas últimas décadas estes grupos têm passado por momentos de grande angústia aguardando os espaços vitais nos quais possam viver plenamente em seu modo de ser.

Hoje, a maior parte dos territórios que foram seus encontra-se ocupada pelas populações que chegaram apenas recentemente (se formos pensar a presença humana em termos históricos de longa duração) à região, e que nela se instalaram com o apoio de políticas públicas do estado nacional na forma de terras e diversos fomentos para produção. Qualquer um que conheça substancialmente o mapa das terras indígenas demarcadas no sul e no sudeste do Brasil é capaz de constatar que de fato há pouca terra para muito índio nestas regiões. É mesmo paradoxal que duas das maiores etnias indígenas existentes no território brasileiro – os Guarani e os Kaingang – contem proporcionalmente com as menores áreas já demarcadas desde a promulgação da constituição.

Não é preciso nenhum estudo para intuir que presença ancestral guarani junto às margens do lago Guaíba é inquestionável, a começar pelo nome do próprio lago, termo guarani destinado a um arbusto frutífero que existe ainda em alguns lugares nas margens deste lago. Em termos de pesquisa científica, nos últimos quarenta anos (não ontem, nem em 1999) foram encontrados dezenas de sítios arqueológicos relacionados a esta etnia em sua orla, mas ainda assim a presença destes coletivos é vista na região com estranhamento e hostilidade, especialmente aos olhos de certos grupos políticos e empresariais, que vêem neles um risco para seus planos e negócios.

Nas matérias “Guaíba em Alerta: Área da Ford volta a gerar polêmica” de Aline Mendes publicada na Zero Hora (24/04/2010), “Distrito Industrial ou Taba” assinada por Rogério Mendelski, publicada pelo jornal O Correio do Povo (02/05/2010) e no edital “Os direitos indígenas e a segurança jurídica” assinado por Mendes Ribeiro Filho, publicado no jornal Zero Hora (03/05/2010) pode se ter uma mostra da capacidade de manipulação da opinião pública articulada por estes grupos junto aos meios de comunicação de massas que controlam e desinformam.

Não havendo sequer um relatório conclusivo específico que determine a área demarcada, têm início uma tempestade de boatos revolvendo antigas disputas políticas como se a presença guarani na região se tratasse apenas de uma manobra eleitoral. Neste contexto, mais de um autor insinua ter sido um partido (que faz oposição no governo do estado, porém é vinculado ao governo federal) o importador dos índios para a região. Todos eles passam a relacionar a demarcação de terras tradicionais na região com a área que desde 1999 parece ter se tornado por direito originário, um território tradicional da montadora de automóveis Ford. É de se perguntar se isso não  ocorre porque o modo de produção desta multinacional é muito tradicional nos termos da produção da riqueza: concentra para si os lucros e reparte o prejuízo com as populações que a cerca.

Os jornalistas não parecem saber que o tal partido, após mais dois mandatos no governo federal avançou pouco ou quase nada na demarcação das terras indígenas no sul e no sudeste do país, e que no mapa de demarcação em âmbito nacional formulado este ano pela Fundação Nacional do Índio a maior parte das terras guarani é representada por um ponto na região em que se encontram, e que nem sequer teriam seus limites visíveis na versão impressa. Desconhecem também que neste momento a FUNAI, que por anos tratou com morosidade a questão da demarcação dos territórios tradicionais guarani no sul do Brasil, é levada a fazê-lo por pressão dos próprios indígenas cansados de não contarem com a base física necessária para viverem completamente segundo seu modo de ser, e tradicionalmente no sul do país, vítimas de todo tipo de estigma, hostilizados por uma sociedade que não se dá ao trabalho de entendê-los. Nenhum partido tem qualquer mérito ou carrega qualquer ônus no cumprimento daquilo que é determinado por lei na Constituição Federativa Brasileira, já que se de fato se esforçassem por efetivá-la, não teríamos famílias guarani comendo poeira na beira das estradas.

A identificação, delimitação e demarcação da área tradicional da Ford, realizada por políticos e jornalistas interessados, se dá nas proximidades da Fundação Estadual de Pesquisas Agropecuárias (FEPAGRO), em cuja área, ainda em 1975, o arqueólogo Sergio Leite, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, encontrou um sítio arqueológico guarani, e onde este mesmo cientista realizou toda uma pesquisa. Desde então esta área é reconhecida juntamente com outras, um marco ancestral da presença guarani. A presença dos guarani tem sido vetada há dezenas de anos naquele local, mas eles permanecem circulando junto às estradas e arroios das redondezas, desde muito antes de 1975, como tem sido contado por velhos guarani. Há quem prefira, por conveniência, pensar que os índios são manipulados por pesquisadores como já disse certa vez outro político desconhecedor completo dos povos indígena. Os que escolhem essa via assumem a mesma atitude “tradicional” frente à alteridade indígena comum aos nossos ancestrais europeus que quando chegaram a este continente tomaram seus habitantes como não-humanos, crianças animalizadas incapazes de raciocínio ou iniciativa, impedidas de qualquer ação em favor de seu próprio bem estar, que só poderiam ser levadas a fazer algo sendo empurradas por um euro-descendente (o missionário, o antropólogo, o partidário) estes sim, dotados de razão e iniciativa. Esta é só mais uma ficção racista que perdura.

Seguindo esta mesma linha de raciocínio que transforma tudo relacionado às populações indígenas em algo armado por brancos, talvez haja também os que dirão que a presença de um sítio arqueológico na área da FEPAGRO não passa de uma grande armação, de proporções anacrônicas na qual algum grupo de importadores de índios, talvez missionários, antropólogos, arqueólogos ou filiados de algum partido, se mostram mesmo capazes de enviar para o passado, por meios obscuros, alguns dos seus com o intuito de implantar artefatos indígenas na futura área que viria a ser a partir de 1999 e eternamente da Ford! A capacidade de invenção de comunicólogos, empresários e políticos contra as populações indígenas parece não estar ancorada por limites de espaço, de tempo e de possibilidade.

Neste reino de acusação e imaginação os jornais e rádios tornam-se panfletos publicitários nos quais certos empresários e políticos têm espaço e tempo garantido, para a divulgação de suas “verdades”, é através delas que ditam qual é a melhor direção (e não estou falando do volante de um ford fiesta) e o que deve ser a vontade de toda uma comunidade. Fabricam a ideia de que empregos não serão criados em consequência da “cobiça indígena” quando eles nem sequer estão garantidos para a população local, principalmente se levarmos em conta o alto grau de automatização das fábricas e da especialização profissional requerida por elas, o que geralmente implica na criação cada vez menor de postos de trabalho, os quais são muitas vezes ocupados por profissionais especializados vindos de outras regiões.

Assim a cidade de Guaíba se arma contra os índios, com seu prefeito Henrique Tavares utilizando espaço nos meios de comunicação para dizer que haverá um levante da população caso a presença indígena inviabilize os investimentos previstos para a região. Então, os cowboys de bombacha, fãs de filmes de faroeste, seguindo o exemplo de John Wayne e Ronald Reagan, se preparam para terminar o esforço de seus antepassados: dizimar os índios em nome de seu próprio progresso, levando a população votantes-ouvintes no cabresto, atropelando de rédeas soltas quaisquer premissas legais da Constituição Federal que estejam em seu caminho.

A polêmica dos laudos técnicos na orla do Guaíba serve para pensarmos se em nosso tempo não seria a própria imprensa um órgão de censura de posições contrárias aos interesses de seus mecenas. Servindo de cabresto para a população a imprensa passa a ter agência sobre quais fatos e discursos valem a pena serem veiculados e quais deles devem ser apagados da história. Em 1º julho de 2008 tivemos uma mostra desse fenômeno quando famílias guarani acampadas a poucos metros do sítio arqueológico do Arroio do Conde, localizado na área da FEPAGRO, foram violenta e ilegalmente expulsas da beira de uma estrada pública pela “Justiça Estadual”, quando por competência legal a questão indígena deveria ser tratada no âmbito judiciário federal. A ação acabou sendo registrada e divulgada apenas por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (https://povosindigenasrs.wordpress.com/2008/07/02/arroio-do-conde-guarani-expulsos-pela-brigada-militar/), ainda que naquele momento estivesse presente uma equipe de filmagem da RBS. Fazendo uso de sua liberdade de imprensa, e independente de suas concessões serem públicas, através de ações de ocultamento e censura estes meios de mídia demonstram a má fé e a parcialidade com que tratam os coletivos indígenas no Brasil.

E não haverá, nestes casos, nenhuma discussão ou reflexão filosófica sobre a ética (ou sua ausência) por parte de renomados pensadores convidados por jornais para legitimar um projeto de Brasil. Este mesmo projeto que exclui e condena ao desaparecimento povos indígenas e populações quilombolas.

Que sorte a deles que racismo não é crime no Brasil… (Será?)

Luiz Gustavo Souza Pradella*

* Mestre em Antropologia Social PPGAS-UFRGS, pesquisador Associado do Laboratório de Arqueologia e Etnologia (LAE) e do Núcleo de Antropologia das Sociedades Indígenas e Tradicionais (NIT) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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