Prefeito prevê levante em Guaíba

Indignado com o estudo encomendado pela Funai e que pode resultar na transformação da área do Distrito Industrial de Guaíba em reserva indígena, o prefeito Henrique Tavares disse no Gaúcha Atualidade que a população poderá promover um levante se o governo inviabilizar os investimentos previstos para a região. Tavares vai se encontrar daqui a pouco com o senador Sérgio Zambiasi para pedir que a bancada gaúcha se mobilize contra a possível criação da reserva.

Tavares estranha que o assunto volte à tona cada vez que se discute um investimento para Guaíba e seja esquecido quando o empreendimento não se confirma, como ocorreu com a Ford e a Toyota.

Guaíba não merece

A notícia de que a área do recém-criado Distrito Industrial de Guaíba corre o risco de ser transformada em reserva indígena é a pior que o município pode receber deste a saída da Ford, em 1999, um trauma do qual os moradores ainda não se recuperaram. O terreno em questão foi desapropriado no governo de Antônio Britto para a instalação da montadora, ficou sem destino na gestão de Olívio Dutra, ganhou o Centro de Distribuição da Toyota pelas mãos de Germano Rigotto e finalmente Yeda Crusius o transformou em Distrito Industrial no dia 29 de março.

Além das seis empresas que já confirmaram a instalação no Distrito Industrial de Guaíba, com previsão de 2,5 mil empregos diretos, outros três empreendimentos devem ser anunciados nos próximos dias, com promessa de abertura de pelo menos mais mil vagas. O medo de uma disputa jurídica em torno da área pode afugentar potenciais investidores.

No sábado, o deputado Márcio Biolchi, ex-secretário do Desenvolvimento, foi acordado com o telefonema de um dos investidores, preocupado com o risco de a área vir a ser transformada em reserva. Em seguida, outro telefonema terminou de estragar o fim de semana de Biolchi, que conduziu as negociações para a instalação das empresas.

Nesta semana, Biolchi vai conversar com outros deputados para encabeçar um movimento político em defesa do Distrito Industrial.

– Não podemos frustrar essas pessoas pela segunda vez – diz o deputado, lembrando a euforia causada pelo anúncio de investimentos numa área considerada maldita com a saída da Ford.

Embora não acredite que a área venha a ser transformada em reserva, Biolchi teme que a existência do estudo leve potenciais investidores a procurarem outras áreas, dentro ou fora do Estado. O ex-secretário diz que nada tem contra os índios, mas acha que a Funai pode acomodá-los em outra área para não causar prejuízos à população de Guaíba.

Não dá para entender é por que só agora a Funai estuda a criação de reserva nessa área que já foi lavoura de arroz e tinha um clube de lazer, com terrenos reservados para um condomínio de casas, quando foi desapropriada. No mínimo, é falta de sensibilidade política.

Por Rosane de Oliveira

Originalmente publicado na Zero Hora.

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