Arquivo do mês: outubro 2009

Mbya-guarani reivindica mata nativa para produzir

A tribo indígena Mbyá-guarani registrou suas reivindicações em carta elaborada no IV Encontro de Artesãos Guarani no RS, que reuniu cerca de 70 pessoas entre 9 e 11 de outubro na Aldeia da Lomba do Pinheiro, na Capital. O documento será entregue a instituições e órgãos que trabalham com a questão indígena. O evento é uma promoção conjunta da tribo Mbyá e do Instituto de Estudos Culturais e Ambientais. No texto, representantes das aldeias Lomba do Pinheiro, Estiva, Itapuã, Rio Capivari, Granja Vargas e Passo Grande apontam as dificuldades enfrentadas pela etnia. “É tradição Mbyá acampar um período do ano para pescar, coletar frutas nativas e comercializar o artesanato. Os locais de acampamento devem ser reconhecidos como terras indígenas e ter boas condições ambientais, necessárias para a permanência das famílias”, diz o documento.

Conforme as lideranças da etnia, as demarcações de terras para os guarani devem incluir áreas com mata nativa com disponibilidade de matéria-prima para a produção do artesanato e remédios naturais, além de condições para caça e cultivo de alimentos tradicionais. O coordenador da Funai na região Metropolitana, João Maurício Farias, admite que as áreas guaranis carecem de recursos naturais para o artesanato e que os programas de recuperação empreendidos pela Emater e pela Funai são insuficientes para a demanda. Farias argumenta ainda que a dívida histórica com os povos indígenas não é apenas da Funai, mas de todos os brasileiros.

por Silvana Losekann

Originalmente publicado em Defender.

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