Arquivo da categoria: Mato Grosso do Sul

I Aty Guasu dos Jovens Kaiowá

Do dia 24 a 26 de Maio ocoreu na aldeia Pirajuí em Paranhos o I Aty Guassu da juventude Kaiowá Guarani, os temas foram relacionados ao histórico do processo de luta das terras indígenas e sua conjuntura atual, identidade, etnicidade e juventude indígena, direito e cidadania indígena, sustentabilidade e autonomia.
Nós jovens da AJI, participamos deste evento que foi o primeiro, e realizdo com muita dificuldade disse uma das organizadoras, apresentamos o trabalho da AJI – Açaõ dos Jovens Indígenas, afim de senbilizar os jovens para também buscarem em suas aldeias uma forma de trabalhar com eles.
Percebemos que as realidades estão muito parecidas: drogas, violencias entre outros, além da falta de espaço dentro e fora de suas comunidades, a falta de dialogo entre a juventude e as lideranças, foi notório. Nada se tem feito para os jovens, não há politica publica que contemple essa classe, pensa-se em mulheres, crianças, e os jovens?
Esperamos que este evento tenha trazido ao menos visibilidade aos jovens Guarani kaiowá, até porque o Procurador da Republica Dr. Marcos Antonio esteve presente nos dias e, pode notar de perto a situação que se encontra os povos indígenas.

Aldeia indígena atacada três vezes por pistoleiros pode ser novamente despejada

Na última vez que foram desalojados, a aldeia inteira ficou na beira da estrada que liga Dourados ao município de Rio Brilhante por um ano e sete meses. O saldo deste período foi a morte de cinco pessoas por atropelamento e de um bebê de seis meses com água envenenada. Em maio de 2011, os guarani-kaiowá decidiram retornar à sua moradia e reocuparam uma parte do terreno. Desde então as liminares de despejo são utilizadas como forma de pressão.

Leia o restante da reportagem aqui

Fonte: Carta Maior

Encontro Internacional de jovens Indígenas de MS

Nos dias 27,28 e 29 de Janeiro de 2012 acontece o II Encontro Internacional de Jovens Indígenas de MS. A abertura acontece no dia 27 de Janeiro as 08h00 na escola indígena Tengatui Marangatu na aldeia Jaguapiru em Dourados – MS.
O evento contará com a presença de várias autoridades locais, nacionais e internacionais especialistas em questões que envolve o tema “juventude”.

Fonte: CEDEFES

Luta dos Guarani Kaiowá contra o Brasil, país do Etanol

Na região Sul do Mato Grosso do Sul, fronteira com Paraguai, o povo indígena com a maior população no Brasil trava, quase silenciosamente, uma luta desigual pela reconquista de seu território.
Expulsos pelo contínuo processo de colonização, mais de 40 mil Guarani Kaiowá vivem hoje em menos de 1% de seu território original. Sobre suas terras encontram-se milhares de hectares de cana-de-açúcar plantados por multinacionais que, juntamente com governantes, apresentam o etanol para o mundo como o combustível “limpo” e ecologicamente correto.
Sem terra e sem floresta, os Guarani Kaiowá convivem há anos com uma epidemia de desnutrição que atinge suas crianças. Sem alternativas de subsistência, adultos e adolescentes são explorados nos canaviais em exaustivas jornadas de trabalho. Na linha de produção do combustível limpo são constantes as autuações feitas pelo Ministério Público do Trabalho que encontram nas usinas trabalho infantil e trabalho escravo.
Em meio ao delírio da febre do ouro verde (como é chamada a cana-de-açúcar), as lideranças indígenas que enfrentam o poder que se impõe muitas vezes encontram como destino a morte encomendada por fazendeiros.

À Sombra de um Delírio Verde

Tempo: 29 min
Países: Argentina, Bélgica e Brasil
Narração: Fabiana Cozza
Direção: An Baccaert, Cristiano Navarro, Nicola Mu

ASSISTA O VIDEO AQUI

Fonte: Indymedia Portugal

MPF/MS: Portaria identifica e delimita Terra Indígena Panambi, na região de Dourados

Mais de 12 mil hectares entre Douradina e Itaporã foram reconhecidos como de tradicional ocupação indígena. Parecer da Consultoria Jurídica do Ministério da Justiça admite possibilidade de indenizar proprietários de terras demarcadas.

A Portaria 524, da Fundação Nacional do Índio (Funai), publicada no Diário Oficial da União de hoje (12), com base em laudos antropológicos, reconhece a Terra Indígena Panambi-Lagoa Rica, localizada nos municípios de Douradina e Itaporã na região sul de Mato Grosso de Sul. Segundo Relatório de Identificação e Delimitação, a área reconhecida ocupa superfície de 12.196 hectares e perímetro aproximado de 63 Km.

A Terra Indígena Panambi é da etnia guarani-kaiowá, o maior grupo indígena do estado, com mais de 46 mil pessoas. Atualmente, vivem na região 832 índios, numa área de 366 hectares. O grupo indígena foi expulso do local no final do século XVIII para dar espaço ao cultivo da erva-mate. Na época, as terras tradicionalmente indígenas foram consideradas por muitos como devolutas e títulos oficiais foram emitidos pela União e entregues a produtores rurais.

A área identificada ocupa hoje parte de 72 propriedades. Parecer da Consultoria Jurídica do Ministério da Justiça opina pela possibilidade de indenização de títulos emitidos pela União incidentes em terras reconhecidas como indígenas. Segundo o Ouvidor Nacional de Direitos Humanos, Domingos Sávio Dresch da Silveira “há sinalização pela aprovação do parecer pela Presidência da República com a consequente vinculação da administração pública federal”.

Demarcação necessária

O estudo publicado pela portaria afirma que nos 366 hectares em que estão os kaiowá de Panambi-Lagoa Rica não há mais matas, matérias-primas ou animais de médio porte. Parte significativa do consumo dos índios provém de recursos obtidos através da venda de mão de obra, da aposentadoria e de projetos sociais mantidos pelo governo.

“A demarcação desta terra indígena cria uma importante condição para que muitas famílias façam o caminho de volta, o mesmo pode ser dito para outras tantas que, por pressões sociais ou políticas, trocaram Panambi – Lagoa Rica pela Reserva de Dourados ou pela precariedade dos acampamentos”, enfatiza o laudo antropológico.

 

 

Fonte: MPF-MS

Liderança kaiowá faz alerta contra massacres diários no MS

Por Paula Salati
Caros Amigos
“Vim hoje aqui para trazer um clamor do povo Guarani Kaiowá à sociedade”, declarou o indígena Ládio Verón, no início da coletiva de imprensa que precedeu o Ato contra o genocídio da população guarani kaiowá, no dia 29 de novembro em São Paulo. A atividade foi organizada por diversas entidades que compõe a Rede de Proteção aos Militantes Ameaçados de Morte, entre elas, a Apropuc-SP e o Tribunal Popular.

A vinda apressada de Ládio Verón do Mato Grosso do Sul até São Paulo, ocorreu após os recentes ataques de latifundiários ao seu povo no dia 18 de novembro, quando cerca de 40 pistoleiros mascarados invadiram, a mando de fazendeiros, o acampamento indígena Tekohá Guaiviry, no município de Aral Moreira (MS). Os pistoleiros assassinaram o cacique Nísio Gomes com tiros de calibre 12 na cabeça e no peito, e o levaram em uma caminhonete junto com mais três crianças. Todos eles ainda estão desaparecidos.

Para ler mais: http://carosamigos.terra.com.br/index2/index.php/noticias/2243-lideranca-kaiowa-faz-alerta-contra-massacres-diarios-no-ms

 

Fonte: Caros Amigos.

Cimi pede intervenção federal em Mato Grosso do Sul

“Já me bateram na beira da rodovia quando eu vinha à noite. Tenho medo, mas não paro [a luta pela terra], porque, se eu morrer, misturo com a terra de novo”, disse o cacique Nísio Gomes a Agência Brasil em setembro de 2009. Na ocasião revelou ter sido expulso em 1975 da terra pela qual morreu no último dia 18 de novembro.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) repudia com veemência as acusações infundadas e sem escrúpulos feitas pelo presidente do Sindicato Rural de Aral Moreira, Osvin Mittanck, através de um órgão de imprensa do Mato Grosso do Sul. Esse senhor desprovido de verdade diz querer justiça, sendo ela regozijada com a desocupação dos indígenas daquilo que ele considera como fazenda invadida e que a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Cimi dêem garantias de que não incentivarão novas invasões. Em nenhum momento pede para que os assassinos do cacique Nísio Gomes e de supostamente dois jovens, desaparecidos, sejam trazidos a público para comprovar a natureza da defesa que voluntariamente faz de seus associados. 

 

Numa fajuta tentativa de descaracterizar o covarde ataque, coloca-se a si mesmo e a seus associados na situação de vítimas de uma grande injustiça, se defendendo sem ser atacado, ventilando escleroses múltiplas e deixando uma pergunta que deverá ser feita pela Polícia e Justiça Federais: quem teria interesse em entrar numa área particular para assassinar e atacar cruelmente indígenas lá acampados? A Funai tampouco o Cimi não são proprietários de terras tradicionais e sob litígio. Percebe-se a clara intenção de desvirtuar a questão numa tentativa desesperada de colocar as reais vítimas no banco dos réus. Por quê?    

 

Desde março do ano passado, o Cimi vem sistematicamente pedindo a intervenção Federal no Mato Grosso do Sul para garantir a segurança dos indígenas – atacados mês a mês sem piedade ou descanso dos assassinos. Quantas mortes e violência terão de ocorrer para que tal decisão seja tomada? Outras mais podem estar a caminho: de acordo com informações vindas dos municípios de Amambaí e Ponta Porã, grupos armados continuam mobilizados e as ameaças de novos ataques seguem presentes. Reiteramos a necessidade da intervenção, conforme prevê a constituição no artigo 34, VII – b, quando há violação de direitos da pessoa humana, respaldado também no preâmbulo e artigo 1º da Constituição e que se justifica como sendo uma medida de caráter urgente e imprescindível.

 

É exatamente disso que os agressores dos indígenas têm medo: da presença do Estado. Até o momento não há e por conta disso resta o terror aos indígenas e não o respaldo das leis nacionais e internacionais que garantem o direito ao território tradicional – invadidos e devastados pela cana de açúcar, soja e pasto. O presidente do Sindicato Rural diz duvidar de que os Kaiowá sejam capazes de relatar todo o noticiado e denunciado pelo Cimi. Aqui respondemos que os indígenas estão longe da capacidade criativa de invenção apresentada pelo presidente do Sindicato Rural e se resumem a relatar o que lhes acontece cotidianamente.

 

O Cimi recebeu denúncias, ainda não confirmadas, da existência de uma lista de lideranças Kaiowá Guarani que estariam marcadas para morrer. As denúncias nomeiam quatro importantes lideranças. A comunidade de Guaiviry informou que pistoleiros impediram o acesso de cerca de 50 indígenas que levavam apoio ao acampamento após o assassinato do cacique Nísio Gomes, apesar da segurança fornecida pelos agentes policiais na região. Também nos inquieta as declarações do presidente do Sindicato Rural de Aral Moreira a respeito de suposto forjamento dos ataques aos indígenas para “jogar a culpa nos fazendeiros”.

 

A propósito, ataques análogos ao que vitimou fatalmente o cacique Nísio foram sofridos pelas comunidades Kaiowá Guarani de Y’Poy e M’Barakay. Demonstração de que se trata de formação de milícia armada paramilitar, ainda mais se levarmos em conta que os armamentos e as munições utilizadas são, via de regra, de uso restrito. A conclusão não é apenas do Cimi, mas também das próprias comunidades atacadas e do Ministério Público Federal (MPF).

 

O Cimi rechaça o bestiário de infames bobagens ditas pelo senhor Mittanck e ressalta que nesse momento é preciso investigar quem são os pistoleiros e seus mandantes; onde está o corpo do cacique bem como o paradeiro de dois jovens desaparecidos; intervenção Federal imediata no Estado do Mato Grosso do Sul, pois a situação é de grave violação aos direitos humanos; presença da Força Nacional para garantir a segurança dos indígenas e conclusão urgente do processo de identificação e delimitação das terras indígenas do Estado.

 

Brasília, 21 de novembro de 2010.

 

Cimi – Conselho Indigenista Missionário.

Morte e desaparecimentos em ataque contra comunidade Kaiowá, no MS

No início da manhã desta sexta-feira (18), por volta das 6h30, a comunidade Kaiowá Guarani do acampamento Tekoha Guaviry, município de Amambaí, Mato Grosso do Sul, sofreu ataque de 42 pistoleiros fortemente armados.

 O massacre teve como alvo o cacique Nísio Gomes, 59 anos, (centro da foto) executado com tiros de calibre 12. Depois de morto, o corpo do indígena foi levado pelos pistoleiros – prática vista em outros massacres cometidos contra os Kaiowá Guarani no MS.  

 As informações são preliminares e transmitidas por integrantes da comunidade – em estado de choque. Devido ao nervosismo, não se sabe se além de Nísio outros indígenas foram mortos. Os relatos dão conta de que os pistoleiros sequestraram mais dois jovens e uma criança; por outro lado, apontam também para o assassinato de uma mulher e uma criança.  

 “Estavam todos de máscaras, com jaquetas escuras. Chegaram ao acampamento e pediram para todos irem para o chão. Portavam armas calibre 12”, disse um indígena da comunidade que presenciou o ataque e terá sua identidade preservada por motivos de segurança.

 Conforme relato do indígena, o cacique foi executado com tiros na cabeça, no peito, nos braços e nas pernas. “Chegaram para matar nosso cacique”, afirmou. O filho de Nísio tentou impedir o assassinato do pai, segundo o indígena, e se atirou sobre um dos pistoleiros. Bateram no rapaz, mas ele não desistiu. Só o pararam com um tiro de borracha no peito.

 Na frente do filho, executaram o pai. Cerca de dez indígenas permaneceram no acampamento. O restante fugiu para o mato e só se sabe de um rapaz ferido pelos tiros de borracha – disparados contra quem resistiu e contra quem estava atirado ao chão por ordem dos pistoleiros. Este não é o primeiro ataque sofrido pela comunidade, composta por cerca de 60 Kaiowá Guarani.  

 

Decisão é de permanecer

 Desde o dia 1º deste mês os indígenas ocupam um pedaço de terra entre as fazendas Chimarrão, Querência Nativa e Ouro Verde – instaladas em Território Indígena de ocupação tradicional dos Kaiowá.

 A ação dos pistoleiros foi respaldada por cerca de uma dezena de caminhonetes – marcas Hilux e S-10 nas cores preta, vermelha e verde. Na caçamba de uma delas o corpo do cacique Nísio foi levado, bem como os outros sequestrados, estejam mortos ou vivos.

“O povo continua no acampamento, nós vamos morrer tudo aqui mesmo. Não vamos sair do nosso tekoha”, afirmou o indígena. Ele disse ainda que a comunidade deseja enterrar o cacique na terra pela qual a liderança lutou a vida inteira. “Ele está morto. Não é possível que tenha sobrevivido com tiros na cabeça e por todo o corpo”, lamentou.

A comunidade vivia na beira de uma Rodovia Estadual antes da ocupação do pedaço de terra no tekoha Kaiowá. O acampamento atacado fica na estrada entre os municípios de Amambaí e Ponta Porã, perto da fronteira entre Brasil e Paraguai.

Guaranis Kaiowás recebem prêmio do governo federal

Guaranis Kaiowás recebem prêmio do governo federal

Da Agência Brasil

Brasília – O governo federal entrega hoje (21) ao povo Guarani Kaiowá o Prêmio Direitos Humanos na categoria Garantia dos Direitos dos Povos Indígenas. Será às 19h30 na Universidade Federal da Grande Dourados, em Dourados (MS).

Há 16 anos, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República premia entidades e pessoas que trabalham na promoção e defesa dos direitos de pessoas ou grupos sociais em situação de risco. O prêmio é composto por uma escultura e um certificado.

 

Ypo’i – uma comunidade Guarani cercada e ameaçada por jagunços

Cansados de esperar informações sobre a localização do corpo de
Rolindo Vera e vendo os assassinos de Genivaldo circulando livremente
na região, a comunidade de Ypo’i decidiu, no dia 17 deste mês,
retornar a seu tekohá tradicional.  Dali foram violentamente expulsos
dia 31 de outubro de 2009, tendo sido várias pessoas feridas e os
professores Rolindo e Jenivaldo assassinados. A área fica no município
de Paranhos, no Mato Grosso do Sul, na fronteira com o Paraguai.

Desde que retornou a sua terra tradicional, a comunidade foi cercada
por pistoleiros a mando de fazendeiros, e vive sob forte tensão e
ameaças. Sem poder se locomover e providenciar alimentos, estão
passando fome. Ontem conseguiram se comunicar e pedir socorro, pois as
200 pessoas que ali estão já estavam há dois dias sem comer.

Pedem ao governo brasileiro, e a seus amigos do mundo inteiro que se
lhes garanta a vida e o direito de viverem em paz em suas terras. Há
três dias entregaram pessoalmente ao presidente Lula, quando ele
esteve em , um documento em que explicavam por que tinham voltado à
sua terra para procurar o corpo de Rolindo e nela viver.

A Fundação Nacional do Índio (Funai), que já esteve no local, afirma
não ter mais condições de ali chegar e prestar socorro aos índios,
pois também se sentem ameaçados pelos pistoleiros. O Ministério
Público Federal (MPF) busca estabelecer um diálogo para que não
aconteça nova tragédia, porém não teve êxito até o momento. Só o apoio
e solidariedade nacional e internacional poderão garantir a vida e a
paz da comunidade.

fonte:  Egon Heck – Cimi Regional MS